Marcação de linfonodo axilar com micropartículas de carbono a 4% em suspensão...

Marcação de linfonodo axilar com micropartículas de carbono a 4% em suspensão antes de quimioterapia neoadjuvante para melhorar a taxa de identificação do linfonodo sentinela e o estadiamento axilar


Spautz CC e col.

J Surg Oncol 2020;

Published on line Apr 14.


Resumo: Bárbara Barbosa

Comentários: Alfredo Carlos S. D. Barros

Introdução

Depois que a biópsia de linfonodo sentinela (BLS) foi validada após quimioterapia neoadjuvante (QT neo) em axila negativa, o interesse pela BLS em casos cN1-2, convertidos em cN0, foi despertado neste cenário.

De início, a taxa de falsos negativos de BLS nesta situação foi considerada elevada, por isto surgiram várias modificações técnicas em sua execução, para melhorar sua capacidade preditiva relação ao estado linfonodal axilar. Assim surgiu a necessidade da inclusão do linfonodo (LN) axilar suspeito (ou comprovadamente infiltrado).

Esta pesquisa teve como objetivo avaliar a eficiência da tatuagem com carvão feita em punção do LN considerado suspeito ou positivo, para facilitar sua remoção durante a cirurgia.

Material e métodos

Uma casuística de 123 pacientes, estadiadas como cT1-4, cN1-2, M0, de dois hospitais paranaenses (Hospital das Clínicas e N. S. das Graças), com QT neo e cirurgia depois, serviu de base para o estudo.

Linfonodos axilares suspeitos foram puncionados para exame citológico sob visão ultrassonográfica, e marcados de imediato com injeção 0,1-0,5 ml de micropartículas em suspensão de carvão a 0,4%, em tecido adjacente aos mesmos. Em 74 casos a citologia revelou positividade.

Meses depois, na cirurgia, após injeção de azul patente retroareolar, os LNs corados em negro e/ou azul foram retirados e analisados.

Resultados

O número médio de LNs retirados foi 2,3 (1-9). Entre os 123 casos operados foram identificados LNs tatuados pelo carvão 121 vezes (98,3%) e corados pelo azul 112 (91,0%).


A marcação linfonodal foi concordante em 77 pacientes (62,6%), discordante em 32 (26,0%), vista apenas pelo carvão em 12 (9,8%), e vista só pelo azul em 2 (1,6%).

No subgrupo de 74 casos marcados com carvão e positivos por citologia, 39 (52,7%) se negativaram com desaparecimento da infiltração neoplásica. Analisando-se 49 casos em que a citologia pré QT neo havia sido negativa, foi observado comprometimento em 8 (16,3%), dos quais 4 estavam marcados pelo carvão, evidenciando que existe falso-negatividade do exame citológico do LN puncionado.

Considerando-se as 43 pacientes com LNs positivos pela análise final em parafina, 38 (88,4%) foram identificados pelo carvão, 31 pelo azul (72,1%), 27 (62,8%) por ambos e 42 (97,7%) ou por um, ou por outro. Três casos não mostraram metástases no LN negro e 4 casos também não pelo azul.

Discussão

O uso do carvão foi considerado válido para o intuito de permitir o reconhecimento intraoperatório do LN suspeito, o qual foi marcado meses antes da cirurgia pré QT neo. A visualização cirúrgica do LN com área negra ao seu redor foi fácil durante a cirurgia, e foi possível em casos discordantes distinguir LNs azulados dos enegrecidos.

Frisou-se que o LN tatuado não era o sentinela tingido de azul em 26% dos casos (32/123), resultados semelhantes aos vistos na literatura com outros métodos de marcação, como a clipagem.

Concluíram os autores que o método de marcação com carvão é confiável, prático e barato.

Comentários (Dr. Alfredo Carlos S. D. Barros)

O uso do carvão tem vantagens sobre o clip e sobre a semente radioativa: não migra, não requer radiografia de peça e permite visualização mais fácil do LN alvo. Temos usado o carvão com sucesso, em amostragem linfonodal que denominamos de BLS estendida após QT neo. Fazemos injeção de 0,5 ml de suspensão de carvão a 4% em tecido peri linfonodo, não havendo interferência na leitura microscópica.

Vemos como pontos fortes do trabalho: conclusão incontestável, expressiva casuística, adequada padronização das técnicas, e a lembrança de que a citologia do LN pode apresentar falso-negatividade.

Penso que o trabalho seria ainda mais rico se informasse como evoluíram os sinais clínicos e ultrassonográficos de suspeição no linfonodo com a QT neo e estimasse a capacidade preditiva da BLS estendida (marcação de pelo menos 3 LNs e incluindo-se o LN marcado antes de quimioterapia e o LS), nas pacientes que foram submetidas a dissecção axilar total.

Por fim, sinalizo que é motivo de orgulho ler uma bela publicação de colegas brasileiros em revista de prestígio internacional.

Leitura complementar recomendada


· Garcia-Etienne CA, et al. Management of the axilla in patients with breast cancer and

positive sentinel lymph node biopsy: an evidence-based update in a European breast center. Eur J Surg Oncol 2020; 46:15-23.


· Patel R, et al. Pretreatment tattoo marking of suspicious axillary lymph nodes: reliability and correlation with sentinel lymph node. Ann Surg Oncol 2019; 26:2452-8.


· Barros ACSD, Andrade DA. Extended sentinel node biopsy in breast cancer patients who achieve complete nodal response with neoadjuvant chemotherapy. Eur J Breast Health 2020; 16:99-105.

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