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TEORIAS SOBRE A ETIOPATOGÊNESE DO LINFOMA ANAPLÁSICO DE CÉLULAS GRANDES DE MAMA

Atualizado: Mai 18


Rastogi P et al.

Plast Reconstr Surg 2019; 143: 23S-29S


Comentários: Dr. Marcelo Moura Costa Sampaio

Dra. Vanessa Anne Mohr-Bell

O linfoma de células grandes anaplásicas (LCGA) tem sido classificado em dois subtipos: o de “doença de massa” e o restrito ao seroma. Com isto em mente, existem teorias de espectros de uma doença, que abrange desde uma doença linfoproliferativa, até sua forma mais grave de uma doença sólida maligna. As características clínicas e histopatológicas se assemelham ao quadro do linfoma de grandes células anaplásicas cutâneo primário, com CD30+, ALK-, HLA-DR+, TIA-1+ e altos níveis de expressão de SOCS3 e STAT3. Estas similaridades possibilitam o estudo de uma etiologia em comum, particularmente a inflamação crônica.


CÉLULAS T E A INFLAMAÇÃO CRÔNICA

A inflamação crônica e a exposição repetida à antígenos pode gerar ativação prolongada e recrutamento contínuo de células T. Este microambiente inflamatório pode ocasionar instabilidade genética, com favorecimento de emergência de populações clonais de células T malignas, com aumento das citocinas promotoras de tumor, como IL-6, IL-10 e IL-17.


FATORES ENVOLVIDOS NA PATOGÊNESE DO BIA-ALCL


O biofilme tem um importante papel na geração deste ambiente de inflamação crônica, com uma maior incidência de formação de biofilme em implantes texturizados (quando comparados aos implantes lisos). Existe uma correlação linear entre carga bacteriana de implantes texturizados com número de linfócitos ativos.


A discussão começa, pois, nem todos os biofilmes associados à implantes e suas respectivas cápsulas geram um fenótipo maligno. As cápsulas benignas geralmente estão associadas à microbiotas Gram-positivas (Staphylococcus epidermidis), enquanto há uma alteração no microambiente de cápsulas BIA-ALCL, com identificação de germes Gram-negativos (Ralstonia spp.), atípicos para a flora bacteriana mamária; existem teorias ligando LPS destas bactérias Gram-negativas à “triggers” de doenças autoimunes e infecciosas.


Como a doença tem sido definido como um espectro, há também tentativas de correlação com mutações genéticas específicas para mudança de espectro de doença e sinalização de “susceptibilidade” à doença, como é o caso de mutações JAK-STAT, proteínas SOCS, Notch1, TP53, MYC, entre outras. Porém, a simples presença das mutações não é suficiente para desencadear a doença, sendo necessária algum outro fator para iniciar a cascata de degeneração maligna.


Outras teorias incluem vazamento de micropartículas de silicone (reações granulomatosas de corpo estranho crônicas), porém sem evidência irrefutável. (Fig. 1)




DISCUSSÃO DOS AUTORES


A etiologia do BIA-ALCL é muito provavelmente multifatorial, com as evidências atuais indicando uma mistura entre infecção crônica (guiada por microrganismos Gram-negativos), formação de biofilme, texturização do implante, inflamação crônica e tempo para tumorigênese. Apesar de vazamentos de silicone e partículas poderem na teoria contribuir para estímulo antigênico, não há evidências científicas disto. Pesquisas futuras incluem o mapeamento de características individuais de susceptibilidade, incluindo a hipótese de mutações genéticas.

COMENTÁRIOS

DR. MARCELO M. C. SAMPAIO

DRA. VANESSA ANNE MOHR-BELL

O LCGA relacionado as próteses é uma patologia rara que acomete a cápsula fibrosa que se forma ao redor do silicone, clinicamente apresenta-se na forma de uma efusão (seroma) crônica ou formação de massa.


As características histopatológicas da doença se assemelham ao quadro do linfoma de grandes células anaplásicas cutâneo primário, com CD30+, ALK-, HLA-DR+, TIA-1+ e altos níveis de expressão de SOCS3 e STAT3A.


A etiopatogênia não está totalmente esclarecida, mas suspeita-se que próteses com macrotexturas podem facilitar a contaminação bacteriana com formação de biofilme provocando uma resposta inflamatória crônica. Existe uma correlação linear entre carga bacteriana de implantes texturizados com número de linfócitos ativos.


Fatores genéticos também podem estar envolvidos. A doença tem sido definida como um espectro da resposta inflamatória, há tentativas de correlação com mutações genéticas específicas como é o caso de mutações JAK-STAT, proteínas SOCS, Notch1, TP53, MYC, entre outras.


A combinação de próteses com macrotexturas, a contaminação bacteriana com formação de biofilme e pacientes geneticamente propensos, pode explicar o desenvolvimento do LCGA. Os estudos investigam estas associações, mas não são conclusivos em estabelecer à relação.


Mesmo o LCGA sendo raro, recomenda-se aos especialistas atenção para os seromas que ocorrem depois de um ano da inclusão do silicone ou a formação de massa na cápsula. Estes devem ser investigados para afastar o LCGA.



LEITURA COMPLEMENTAR RECOMENDADA


- A review of breast implant-associated anaplastic large cell lymphoma: the supplement. Plast Reconstr Surg 2019; 143 (3S): 1S-81S

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